Entrevistas

9 de março de 2017

Projetar pessoas por Samanta Holtz

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1- Perfil do Entrevistado

-nome:
Samanta Holtz
-atividade desempenhada: Escritora
-descrição de sua experiência / perfil:
Samanta Holtz nasceu em Porto Feliz (SP) em 23 de abril de 1987. É formada em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) pela ESAMC Sorocaba e possui 4 romances publicados:

  • O Pássaro (2012) – Editora Novo Século;

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  • Quero ser Beth Levitt (2013) – Editora Novo Século;

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  • Renascer de um Outono (2014) – Editora Novo Século;

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  • Quando o amor bater à sua porta (2016) – Editora Arqueiro.

CAPA - Quandooamorbater

A autora também assina uma coluna na Revista Terraço (do interior de SP) e possui 3 contos publicados na internet, gratuitamente disponíveis através da plataforma Widbook. Um deles, intitulado “A Contadora de Histórias”, ganhou adaptação ao teatro pelo roteirista Ricardo Biazoto e pela companhia de teatro Viva Arte, com estreia em setembro de 2016 no Teatro Avenida de Espírito Santo do Pinhal (SP). Seu sucesso na literatura também lhe rendeu uma moção de aplausos da câmara dos vereadores de Porto Feliz (SP) e a nomeação de “Escritora Humanitária” ao receber o Prêmio Anita Garibaldi – Em Defesa dos Direitos da Mulher, em cerimônia realizada na câmara dos vereadores de São Paulo. Foi também presenteada com um fã-clube, o “Loucos por Samanta Holtz”, do qual fazem parte leitores de todo o Brasil.

Site: www.samantaholtz.com.br

Página no Facebook: https://www.facebook.com/escritorasamantaholtz
2- Para você, o que é Projetar Pessoas?
Projetar pessoas é usar aquilo que temos de melhor para despertar o melhor no outro. Em meu caso, escrever livros vai muito além de proporcionar momentos de entretenimento; é uma forma de espalhar minhas palavras para semear o bem, inspirar, motivar e levar reflexões positivas a quem ler o que escrevo. Penso que, se vim ao mundo com esse dom, é porque de alguma forma eu posso (e preciso!) usá-lo para o bem!
Gosto muito de uma frase do Paulo Coelho que diz: “somos instrumentos do mundo nas mãos de Deus”. Assim como um desenhista possui diversas ferramentas, cada uma com uma finalidade diferente (riscar, sombrear, colorir, esfumaçar…), também nós temos, cada um, seu papel no mundo. E é lindo quando reconhecemos qual nosso papel e conseguimos desempenhá-lo de forma a não somente nos realizarmos, mas também levar algo bom aos outros!

3- Conte uma vivência aonde você foi projetada enquanto pessoa:
Uma vivência que marcou uma fase de transição em minha vida foi minha contratação na Editora Arqueiro.
Quando eu me reuni pela primeira vez com a Alê (minha querida editora!) para conversar sobre a contratação, ela me deu uma verdadeira aula sobre mercado editorial, comunicação e estratégias de carreira, e encerrou mostrando números e estatísticas que esperam de um autor dentro daquela editora. Números que, até aquela altura da minha carreira, eu sequer havia chegado perto! Pareciam totalmente fora da realidade.
Saí de lá com uma mistura curiosa de sensações: grata por tudo o que tive a oportunidade de aprender… e apavorada com tudo aquilo que eu ainda não dominava, bem como a dimensão assustadora daquilo que esperavam de mim enquanto autora. Fazia anos que eu sonhava com uma sólida carreira de escritora e em ser contratada por uma editora como a Arqueiro, porém foi só naquele momento que eu realmente entendi que estar em uma editora de peso incluía aprender mais, conhecer mais, fazer mais… ser mais.
Diante daquele cenário, eu tinha duas opções: recolher-me em minha insignificância e no conhecimento que eu possuía até então, usando-o para continuar dando passos pequenos em uma editora menor… ou ir em busca de aprendizado e me preparar para grandes saltos, aproveitando a oportunidade que a vida me oferecia.
Escolhi a segunda opção. Investi em cursos de imersão, em consultoria de imagem pessoal, criei novas ferramentas de comunicação, investi em minhas redes sociais… e fui buscando as metas! O curioso foi que: depois de alguns meses, enquanto eu perseguia os números monstruosos que me foram lançados como desafio, descobri que minha vitória não foi necessariamente alcançá-los. Não atingi ainda todos os números que desejo (e que a editora certamente deseja também), mas ganhei muito mais no seguinte sentido: ao me ver desafiada a alçar voos tão altos, eu cheguei muito mais longe do que teria conseguido se, naquela primeira reunião, eu tivesse recebido desafios menores. Porque eu os teria alcançado e, então, parado. Quando uma editora respeitável como a Arqueiro me chamou para conversar, me mostrou aqueles números todos e disse: “é isso o que esperamos de você”, na verdade o que estavam me dizendo era: “é isso o que acreditamos que você é capaz”. Receber essa mensagem, aliado a todo o autoconhecimento que conquistei nos cursos que fiz, teve um efeito poderoso sobre minha autoestima e sobre minha visão de mim mesma.
Não alcançar as metas (por enquanto!) poderia ter me frustrado, me desanimado… mas foi o contrário. Receber metas tão altas (que eu dificilmente alcançaria naquele momento) foi o que me impulsionou a buscar tanto, a investir tanto em mim mesma e a finalmente ter segurança para reconhecer que eu era, sim, digna de que alguém esperasse aquilo de mim. De que eu era, sim, uma ótima escritora. Foi um grande ponto de virada em minha história pessoal, quando passei a acreditar muito mais em mim mesma, e agradeço muito à Alê por ter dado início a este meu momento de vida!

4- Cite uma situação em que você pôde contribuir para a projeção de uma pessoa:
Um exemplo que carrego no coração é o da querida Laura Baggio, que recentemente lançou um livro de poesia intitulado “Braço de asa, pé de raiz” (recomendo!). Contribuí com a projeção dela como escritora sem nem mesmo saber disso, e foi ela quem me contou como aconteceu: a Laura trabalhava em uma escola de Boituva (SP), para a qual fui convidada a participar em um evento com sessão de autógrafos. Isso foi em 2012 ou 2013. Quando me viu lá, ela contou que foi impactada de certa forma porque sempre carregou um desejo de escrever e publicar, mas achava difícil fazer isso acontecer, então se conformou que isso não aconteceria. Quando ela viu uma garota de idade próxima à dela com esse sonho já realizado, aquilo mexeu com ela e despertou novamente o sonho que ela havia deixado adormecer. Depois disso, nos mantivemos em contato e, vez ou outra, falamos sobre livros e publicação. Até que, em 2016, ela se encorajou para buscar uma editora e levar ao público suas lindas poesias, mesmo com a insegurança comum de um autor de primeira viagem. E, na noite de lançamento, ela incluiu meu nome nos agradecimentos, e me contou que, se aquela noite estava acontecendo, em parte era graças a mim e ao apoio e coragem que transmiti a ela. Mesmo sem nem sempre estar consciente disso… aquilo me emocionou bastante!

5- Passe uma mensagem para o Projetando Pessoas:
Com base no exemplo da Laura, que mencionei na resposta anterior, acho importante nos lembrarmos que, a todo instante, estamos impactando a vida das pessoas ao nosso redor. Quando nos pedem um conselho, quando recorrem a nós ou mesmo quando alguém apenas nos observa trabalhar, como foi o caso da Laura no evento da escola… nosso exemplo e nossas palavras projetam pessoas o tempo todo, mesmo quando não nos damos conta disso. Cada ação e cada palavra (ou falta delas) pode fazer toda a diferença na vida de alguém. Então, se estivermos sempre com o coração atento, certamente espalharemos o bem e ajudaremos a projetar pessoas em um caminho de amor! :)

6- Sugira o que gostaria de encontrar no Projetando Pessoas no próximo ano do Site:
Acredito que depoimentos de pessoas que foram projetadas por alguém, expressando sua gratidão, são sempre bem-vindas. É uma forma de expressarem seu amor por quem as ajudou em algum momento de vida e lembrar àqueles que leem seu relato quanto uma palavra, gesto ou bom exemplo pode fazer a diferença!

 

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